O projeto arquitetônico
Apresentação
O projeto está em uma área rural a 40km do centro de Brasília. A topografia apresenta um leve declive em relação aos fundos do lote, para onde há vista livre em direção a um vale de vegetação nativa.
O programa da casa foi distribuído em dois pavilhões, desnivelados e ligeiramente suspensos do piso com o intuito de prevenir a entrada de pequenos insetos e animais silvestres à casa e também minimizar a movimentação de terra.
O clima ameno da região permitiu que a conexão entre os pavilhões se desse através de passarelas abertas e cobertas. A ideia foi maximizar o contato direto com as condições naturais do terreno. A escolha dos materiais de construção foi baseada em duas premissas: deveriam envelhecer bem sob a ação das intempéries e não deveriam esconder sua aparência natural.
Sendo assim, o concreto aparente foi adotado para toda a estrutura e parte do mobiliário fixo e o tijolo aparente em todas as vedações. Ao invés de buscarmos o acabamento fino do concreto, decidimos assumir as imperfeições inerentes ao processo que foi executado pela mão-de-obra local com a utilização de fôrmas de compensado plastificado.



Desafios

O fato de a residência estar localizada numa área rural trouxe alguns desafios aos arquitetos do BLOCO. A começar pela implantação da casa que foi elevada do chão para impedir a entrada de pequenos animais silvestres, como cobras. Para Coutinho, “essa solução deu leveza à edificação, que parece flutuar sobre o cerrado.”
A paisagem campestre – sem asfalto e muita terra – também levou os arquitetos a escolherem materiais que fossem resistentes às ações das intempéries e de fácil manutenção. Por isso adotaram concreto aparente na estrutura, tijolos maciços nas vedações, enquanto os pisos ganharam granito lixado (área externa, inclusive dentro da piscina) e cimento queimado (área interna).
Segundo Seco, como a casa ficava distante do centro de Brasília, a maior dificuldade que encontraram era o transporte desses materiais e a busca por mão de obra qualificada. Este fator, no entanto, foi utilizado pelos arquitetos a favor do projeto.
“A mão de obra local que tínhamos disponível já havia trabalhado algumas vezes com tijolo maciço, mas com concreto aparente ainda não. Apesar disso, achamos interessante tirar partido das imperfeições que surgiriam após a concretagem, para revelar a verdade desse material”, explica Seco. Além da questão estética, esse recurso diminuiu os custos da obra, pois dispensou qualquer material de acabamento.

Aberturas de luz
Atento ao clima quente de Brasília – ora com épocas secas, ora chuvosas – o trio de arquitetos concebeu uma casa com intensa ventilação cruzada em praticamente todos os ambientes. Como descreve Mangabeira, rasgos de circulação permitem uma orientação leste/oeste do vento nos dois blocos que compõem a Casa Vila Rica.
No volume social, por exemplo, a cozinha ganhou duas aberturas de porta que favorecem a circulação de ar, enquanto na varanda esse processo ocorre no sentido norte/sul. Já no conjunto íntimo, são as esquadrias que deixam a brisa entrar e refrescar os ambientes.
Essas aberturas também contribuem para manter a residência sempre bem naturalmente iluminada, sem ter a necessidade de acionar a luz artificial durante o dia. Até mesmo espaços mais fechados por conta do uso, como os banheiros, estão inclusos nessa proposta. “Criamos um jardim interno e furos no teto que trazem luz natural ao ambiente, além de permitirem o contato com a chuva, o céu...”, comenta Seco.
Ainda assim, era necessário resguardar a residência do forte sol poente que incide diretamente sobre a lateral da fachada oeste. No bloco social, a solução foi orientar a garagem para essa área; e no íntimo, são as circulações que se direcionam para lá.
Mesmo mais protegidos, os corredores também recebem luz natural através de uma abertura horizontal no piso, já que é o espaço no qual incide menos luz. Esses rasgos também marcam a sala de estar, com a diferença que foram replicados no teto. Varanda, cozinha e sala têm circulações externas, cujas coberturas criam um anteparo de proteção solar sem prejudicar a iluminação natural que entra através dos vidros.


